
Livro “Liberdade com Propósito” apresenta mecanismo psicológico que apaga a dor e sustenta o ciclo de dependência
“Alzheimer Emocional” é o fenômeno no qual a mente racional reconhece o sofrimento, mas o sistema emocional reduz ou apaga lembranças dolorosas. Esse processo sustenta a esperança de mudança e mantém o vínculo ativo, mesmo após repetidas experiências negativas. O psicólogo Felipe Rosenberg, autor do livro “Liberdade com Propósito”, publicado pela Edições 70, selo do Grupo Editorial Alta Books aprofunda a análise sobre a permanência em relações abusivas na obra e introduz o conceito como chave para compreender a dificuldade de rompimento.
De acordo com Rosenberg, esse mecanismo não se relaciona à fraqueza, mas a uma resposta psíquica ao trauma. “A mente pode saber que precisa sair, mas o sistema emocional apaga a dor para sustentar a esperança”, afirma o autor ao explicar a dissociação entre razão e emoção.
“Liberdade com Propósito” detalha como o ciclo de abuso cria uma dinâmica semelhante à de dependência. Momentos de afeto alternam com episódios de dor, o que reforça o apego. Esse padrão estimula a permanência, já que a memória emocional privilegia os períodos positivos e reduz o impacto das experiências negativas.
O conceito de “Alzheimer Emocional” também amplia o entendimento sobre recaídas. Segundo o livro, decisões de ruptura muitas vezes não se sustentam porque a memória afetiva se reorganiza em favor da reconexão. Promessas de mudança, pedidos de desculpa e demonstrações de afeto reativam o vínculo e enfraquecem a percepção da dor. “A mente pode apagar. Mas o corpo lembra”, afirma o autor, ao destacar que sinais físicos, como ansiedade e exaustão, continuam presentes mesmo quando a memória emocional falha.
Ao apresentar esse conceito, Felipe propõe uma mudança de interpretação sobre o comportamento da vítima. A permanência deixa de ser vista como escolha consciente e passa a ser entendida como resultado de um mecanismo psicológico estruturado. “Liberdade com Propósito” busca oferecer clareza sobre padrões internos que sustentam o ciclo abusivo, criando base para decisões mais consistentes e para o rompimento definitivo da dinâmica.
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