Lançado na Livraria Martins Fontes, em São Paulo, livro idealizado por Marcus Montenegro e escrito por André Arteche reúne 100 monólogos com plano de estudos
O mercado audiovisual mudou. Hoje, boa parte dos testes para teatro, cinema e streaming acontece diante da câmera de um celular, muitas vezes dentro da casa do próprio ator. Ao mesmo tempo, diretores e produtores de elenco passaram a buscar interpretações mais autorais e monólogos menos conhecidos. Foi a partir dessa necessidade que nasceu “Arte On – 100 Monólogos com Plano de Estudo”, obra idealizada por Marcus Montenegro e escrita pelo ator, autor e diretor André Arteche.
Lançado pela Editora Letramento, o livro foi lançado oficialmente na última quinta-feira (30/07), na Livraria Martins Fontes, na Avenida Paulista, em São Paulo. O evento reuniu atores, diretores, produtores e profissionais do audiovisual, entre eles Irene Ravache, Beth Goulart, Paulo Gorgulho, Andrea Nóbrega e Dani Valente, que prestigiaram a sessão de autógrafos e celebraram a chegada da publicação ao mercado.
Mais do que uma coletânea de textos, “Arte On” traz 100 monólogos acompanhados por um plano de estudos que incentiva a análise dramatúrgica, a construção da personagem e o aprofundamento da interpretação. A proposta dialoga com a realidade de um mercado que exige profissionais cada vez mais preparados para diferentes formatos de seleção.
Conversamos com Marcus Montenegro sobre a origem do projeto. Segundo o empresário, a ideia surgiu quando os próprios produtores de elenco passaram a pedir materiais inéditos para os testes. “O ‘Arte On’ nasceu de uma necessidade. Os produtores de elenco começaram a exigir dos agentes um nível mais alto de monólogos, porque os textos já estavam muito batidos. Isso tirava a originalidade dos atores”, explica.
Ao perceber essa mudança, Montenegro decidiu transformar uma demanda prática em projeto editorial. A escolha de André Arteche para escrever os textos nasceu da parceria que os dois já mantinham no curso “Ser Artista”, também idealizado por Marcus Montenegro.
“Eu já conhecia o André (Arteche), sabia que ele escrevia muito bem e propus esse desafio. Ele escreveu mais de 100 monólogos com um plano de estudo, e ali percebi que aquele material podia se transformar em um livro.”
Se Marcus Montenegro identificou uma necessidade do mercado, coube a André Arteche transformá-la em dramaturgia. O ator, autor e diretor lembra que a proposta, a princípio, pareceu ousada. “Quando o Marcus me falou da proposta, eu disse: ‘Não sei se consigo escrever 100 monólogos’. E ele respondeu: ‘Consegue, sim!'”, relembra, entre risos.
O desafio, no entanto, ia além da quantidade de textos. O objetivo era criar monólogos capazes de dialogar com diferentes perfis de intérpretes e estimular uma preparação mais consistente. “Como ator, nossa preocupação costuma ser com o perfil: será que estou adequado ao personagem? Será que minha imagem está certa? Mas o que faz um diretor de elenco escolher você é a capacidade de vivenciar uma história”, ressalta Arteche.
Além da sessão de autógrafos, o lançamento reuniu diferentes gerações da classe artística em uma noite dedicada à formação e ao aperfeiçoamento profissional. Em vez de trazer apenas novos textos para audições, o “Arte On” convida o ator a aprofundar sua preparação e a compreender que técnica, estudo e verdade cênica caminham juntos.
Antes de encerrar a entrevista, Marcus Montenegro deixou um conselho para quem busca espaço no mercado audiovisual. “Para a escolha do monólogo, vá naquele estilo em que você mais se sente à vontade. Depois, com o tempo, experimente outros caminhos. Mas, no início, faça aquele que você acredita que domina, aquele em que você se sente bem”, concluiu.
Em um cenário cada vez mais competitivo, o conselho reforça a principal mensagem de “Arte On“: a preparação começa pelo autoconhecimento. Antes de impressionar um diretor de elenco, o ator precisa encontrar um texto que revele sua identidade e permita contar uma história com autenticidade.
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