Meu Remédio traz à tona questões do universo árabe, revelando episódios importantes

da história pessoal de Mouhamed Harfouch, filho de imigrantes sírios e portugueses.

(créditos: Gustavo de Freitas Lara/divulgação)
Meu Remédio traz à tona questões do universo árabe, revelando episódios importantes
da história pessoal de Mouhamed Harfouch, filho de imigrantes sírios e portugueses.

(créditos: Gustavo de Freitas Lara/divulgação)

Dirigida por João Fonseca, “Meu Remédio” fica em cartaz até 28 de setembro, no Teatro Santos Augusta, em São Paulo.

Depois de uma temporada de sucesso no Rio de Janeiro, Meu Remédio estreia em São Paulo, trazendo uma narrativa profundamente pessoal e emotiva, em que Harfouch mergulha na sua história de vida, em um processo criativo íntimo que levou o artista a revisitar sua trajetória, seu nome e sua herança cultural. Assim, o ator, também responsável pelo texto e pela produção, transforma um projeto essencialmente pessoal em uma expressão artística para o grande público, com quem compartilha seus questionamentos e provocações.

Com mais de 40 peças, entre as quais produções musicais como Querido Evan Hansen e Ou Tudo ou Nada (com indicação ao Prêmio Bibi Ferreira de Melhor Ator 2016), sua trajetória também inclui novelas (como Pé na Jaca, Amor à Vida e Órfãos da Terra) e séries (como Rensga Hits e Betinho – No Fio da Navalha). Mas é em Meu Remédio que Mouhamed se reinventa, assumindo diversas funções e se desafiando na auto exposição. O espetáculo traz à tona questões do universo árabe, relembra episódios importantes que fizeram parte de sua jornada e revela de forma sincera o impacto de suas escolhas em sua vida pessoal e profissional.

“Meu Remédio nasce da minha vontade de entender e compartilhar a relação com o meu nome, com minha história de vida, com a mistura de culturas que carrego. Sou filho de imigrantes sírios por parte de pai e portugueses por parte de mãe. Crescer com um nome tão emblemático em um Brasil dos anos 70, em que o preconceito e a dificuldade de aceitação eram muito presentes, não foi fácil. A peça é uma comédia, mas carrega uma reflexão sobre aceitação e pertencimento, sobre entender que, muitas vezes, o maior remédio é aceitar quem somos”, explica Mouhamed.

Embora a ideia de levar a peça aos palcos tenha surgido há dois anos, uma inquietação sobre o tema já acontecia desde a novela Órfãos da Terra. Durante as gravações, Mouhamed foi levado a olhar mais profundamente para sua própria história, sua relação com o pai e com os muitos imigrantes que o cercam. Esse desejo de explorar sua ancestralidade e as dificuldades vividas ao lidar com seu nome e sua identidade se intensificou ao longo das apresentações da peça Quando Eu For Mãe Quero Amar Desse Jeito, estrelada ao lado de Vera Fischer. A reflexão do ator durante a turnê foi o impulso que consolidou a ideia do texto, desafiando-o para além da atuação.

A decisão de assumir a produção do espetáculo, que é um dos maiores desafios da sua carreira, foi um passo corajoso. “Já tinha produzido no começo da minha carreira, mas, agora, com mais maturidade, me senti mais preparado para enfrentar esse desafio. Produzir e atuar ao mesmo tempo é uma tarefa árdua. A maior dificuldade foi lidar com as duas funções e ainda me manter fiel à ideia que queria transmitir. Mas, com o apoio de grandes amigos e parceiros como Tadeu Aguiar e Eduardo Bakr, senti que tínhamos força para fazer isso acontecer”, revela Mouhamed.

A parceria com o diretor João Fonseca foi outro pilar fundamental para tirar o sonho do papel. Com vasta experiência à frente de obras biográficas, a exemplo dos musicais sobre a vida de Tim Maia, Cazuza, Cássia Eller, Elvis Presley e Tom Jobim, João trouxe à cena a delicadeza necessária para que o espetáculo equilibrasse o tom de comédia e a profundidade emocional da história. “João Fonseca é um amigo e um grande diretor. Ele segurou a minha barra de maneira sensível e honesta e acreditou no meu projeto desde o início. Sem ele, não sei se teria conseguido fazer essa transição entre o autor e o ator de forma tão tranquila”, comenta Mouhamed, que já trabalhou com Fonseca em Homem de Lata, monólogo online criado durante a pandemia.

Misturando elementos autobiográficos e ficcionais, o texto é costurado por algumas canções, entre hits e paródias, cantadas e tocadas ao vivo, marcando transições importantes da narrativa, em que o autor recria personagens significativas das duas primeiras décadas da sua vida. Meu Remédio carrega histórias que conectam o indivíduo ao passado e iluminam seu futuro e convida a todos a olhar para dentro, entender melhor a própria caminhada e perceber como a arte pode ser um remédio. “Um nome nunca é só um nome. É uma jornada, fala dos que vieram e dos que virão. Poder enxergar melhor os caminhos de fora e nossos desejos é algo que me move. Meu Remédio foi um ponto de partida, pois aceitar quem somos é curativo e a arte salva”, finaliza Mouhamed.

Ficha Técnica:

Idealização, produção e texto: Mouhamed Harfouch

Elenco: Mouhamed Harfouch

Direção: João Fonseca

Figurinos: Ney Madeira e Dani Vidal

Iluminação: Dani Sanchez

Cenógrafo: Nello Marrese

Produtora Executiva: Valéria Meirelles

Coordenação Geral: Edmundo Lippi

Assessoria da produção: GPress Comunicação | Grazy Pisacane

Assessoria de Imprensa Teatro Santos Augusta: Fernando Sant’ Ana

Assessoria jurídica Teatro Santos Augusta: Carolina Simão

Gerente técnico Teatro Santos Augusta: Reynold Itiki

Comunicação Teatro Santos Augusta: Dayan Machado

Para pautas e sugestões: colunaquartacapa@gmail.com