Espetáculo protagonizado por Bete Coelho e Camila Pitanga adapta o romance de Caetano W. Galindo e transforma a narrativa fragmentada da obra em uma experiência teatral sensível e contemporânea.

Camila Pitanga e Bete Coelho estrelam Lia Lia (créditos: Gleeson Paulino/Teatrofilme | Ricardo Cefalli/Teatrofilme)

Como contar a história de uma pessoa sem seguir uma linha do tempo? Essa é uma das provocações de “Lia Lia”, espetáculo inspirado no romance Lia: Cem vistas do Monte Fuji, de Caetano W. Galindo. Em vez de conduzir o público por uma narrativa convencional, a montagem revela sua protagonista por meio de memórias, encontros e pequenos fragmentos que, reunidos, formam um retrato sensível sobre identidade, pertencimento e passagem do tempo.

É essa proposta que chega agora aos palcos de São Paulo, reunindo Bete Coelho e Camila Pitanga em cena. Responsável pela adaptação e direção do espetáculo ao lado de Gabriel Fernandes, Bete conta que um dos maiores desafios foi preservar justamente a estrutura singular do romance.

“O maior desafio foi não tentar organizar demais o que já nascia bonito justamente pela fragmentação. O livro do Caetano tem uma lógica muito própria, feita de memórias, cortes, relances, e o trabalho foi encontrar uma forma teatral de sustentar isso sem tornar tudo mais linear ou explicativo“, explica a atriz.

Outro destaque da montagem é o encontro inédito entre Beth Coelho e Camila Pitanga em cena. Para Beth, a parceria nasceu da escuta e da confiança construídas ao longo do processo criativo. Como a mais nova integrante da companhia, Camila Pitanga celebra: 

“Fazer parte da Teatrofilme é a realização de um desejo acalentado há muitos anos: contracenar com Bete Coelho. A Bete é uma atriz que me emociona e uma diretora que me inspira preciosos novos caminhos. É um sonho viver a paixão em comum que temos pelo teatro, esse ofício em que a gente se coloca por inteiro. Me sinto provocada, desafiada e, ao mesmo tempo, muito acolhida“.

Essa sintonia permitiu que diferentes versões da personagem coexistissem no palco, ampliando as possibilidades de interpretação e reforçando o caráter múltiplo da protagonista. Ao adaptar para o teatro uma obra marcada pela delicadeza e pela fragmentação, “Lia Lia” convida o espectador a reconstruir uma vida a partir de lembranças, silêncios e encontros — uma experiência que transforma a memória em matéria cênica.

Ao longo de sua temporada, o espetáculo Lia Lia conta com a participação de alunas do Núcleo de Artes Cênicas – NAC, do SESI-SP, polo de excelência em formação e criação teatral, com acesso gratuito, que democratiza o acesso às artes cênicas e revela talentos por meio de processos pedagógicos rigorosos e experiências artísticas de alto nível. A cada cidade, duas novas alunas do NAC participaram do coro cênico desta montagem, recurso dos diretores que amplia a dimensão simbólica da narrativa. “Como vozes coletivas que ecoam, direcionam, tensionam e contrapõem significados, o coro contribui para dar ritmo e atmosfera a algumas cenas, articulando palavras, sons, expressões e movimentos de corpo que fortalecem a potência narrativa e sensorial do espetáculo”, observa Lindsay Castro Lima.

Serviço:

Lia Lia

Local: Centro Cultural FIESP | Avenida Paulista, 1313, São Paulo – SP

(em frente à estação Trianon-Masp da Linha 2 Verde do Metrô)

Curta temporada: de 24 de julho a 9 de agosto. Quarta a sábado, às 20h; domingos, às 18h

Informações: (11) 3322-0050

Entrada gratuita – reservas de ingressos no site Meu Sesi (www.sesisp.org.br), a partir de 20/07 (primeira semana), 27/07 (segunda semana) e 03/08 (terceira semana).

Duração: 80 minutos

Classificação: 14 anos

As sessões das sexta-feiras têm tradução em Libras

Para pautas e sigestões: colunaquartacapa@gmail.com